Segundo alguns pesquisadores a cerâmica marajoara é a quarta fase arqueológica da Ilha do Marajó e é considerada por muitos como uma das mais belas formas de arte já conhecidas.

        As peças eram usadas como utensílios domésticos, urnas (para sepultamento dos mortos), peças ritualísticas, ídolos, etc.

        Por algum tempo a cerâmica marajoara ficou fadada a peças arqueológicas expostas em museus, enquanto os artesãos limitavam-se a produzir peças utilitárias, para uso doméstico, mas no início da década de 60, "Mestre Cabeludo" um pintor letrista do Bairro do Paracuri (Icoaraci - Belém - Pará), ao ver um lindo vaso num livro que ganhara, resolveu reproduzí-lo e foi até uma olaria pedir para um artesão fazê-lo no torno, em seguida foi fazer os acabamentos. Era um vaso marajoara. A partir daí a cerâmica marajoara renasceu, cresceu e tornou-se objeto de admiração.

        Dando continuidade a tradição ceramista, a família de Marivaldo N. da Costa - a esposa Marieta Sena e os 5 filhos do casal - trabalham em sua própria olaria, onde confeccionam belas peças de estilo marajoara e também tapajônico.

       
Ao longo dos mais de 25 anos de trabalho com esta cerâmica foram diversas as feiras e exposições das quais participou, sempre se destacando pela qualidade e beleza de suas peças, o que lhe garantiu o prêmio II SACI, em 1998, na categoria criatividade com uma belíssima peça estilizada.

       
Embora já existam algumas máquinas que auxiliam o trabalho nas olarias, Marivaldo Arte Cerâmica prima pelo trabalho artesanal para garantir a originalidade de suas peças.

       
Até que uma peça em cerâmica esteja pronta, ela passa por um minucioso trabalho de confecção:

1ª Etapa - A limpeza do barro: Nesta etapa o barro é trabalhado de modo a serem retiradas as impurezas (em geral, raízes de árvores).

2ª Etapa - É no torno que a habilidade do oleiro dá as formas que a peça terá. Depois de "levantada" (já com seu formato final), a peça vai para o sol a fim de secar. (este processo de secagem pode levar até mais de 24 horas).

3ª Etapa - Agora que a peça já está seca, vai ser lixada para deixar a superfície plana, sem imperfeições.

4ª Etapa - Chamada de "engobo", é quando a peça recebe a primeira pintura para definir sua cor básica.

5ª Etapa - É nesta etapa que o desenhista traça os contornos dos desenhos que tanto valorizam as peças.

6ª Etapa - Após receber os contornos vem a "nicação" que é um trabalho feito por outro desenhista que vai inserir os inúmeros traços de preenchimentos nas formas anteriormente definidas. Feito isto a peça vai ao forno para "queimar" (o que dará à peça a firmeza final).

7ª Etapa - Após a queima é feito o arremate, que é a pintura final, onde se usa desde tinta a base d'água até cera de carnaúba. As cores variam desde o estilo tradicional marajoara (vermelho, preto e branco) até as estilizadas, onde se pode ver o verde, azul, amarelo e outras variações.

Após todo este processo, está pronta mais uma obra de arte.